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Leprous - Malina: quando a música desafia o ouvinte


Ano: 2017
País: Noruega
Gênero: Progressive Metal
Membros: Einar Solberg (vocais, guitarra, teclados), Tor Oddmund Suhrke (guitarra, backing vocals), Baard Kolstad (bateria), Robin Ognedal (guitarra), Simen Daniel Børven (baixo)


Quando os noruegueses do Leprous liberaram o vídeo para "From the Flame", o primeiro single deste novo álbum, houve quem reclamasse de seu approach mais convencional, de sua estrutura mais linear do que de costume e da perda de parte do peso das guitarras, resultando em uma canção mais sonoramente acessível e pouco distante do caos direcionado que caracteriza antigos medalhões da banda, como o disco Bilateral, de 2010. Retrocedendo a "The Price", single do aclamado disco anterior, The Congregation, de fato percebemos notáveis diferenças estilísticas entre as duas músicas de trabalho. Aquela canção era mais pesada, tinha uma assinatura de tempo pouco usual e contava com riffs cheios de progressões inusitadas. Entretanto, ouvindo Malina mais atentamente, percebe-se que este disco não é assim tão diferente daquele. Aqui a banda continua caminhando em terreno familiar, partindo exatamente de onde havia parado em 2015, mas se permitindo dar alguns passos além de sua sonoridade usual.

Sendo assim, temos, abrindo a audição, "Bonneville", que traz uma pegada jazzística muito bem vinda ao som do grupo e faz enriquecer a experiência com o disco. O timbre do vocalista Einar Solberg, mais do que nunca, soa como um bálsamo para os ouvidos, flutuando entre belíssimos falsettos e explosões potentes. A faixa não conta com grandes progressões ou viradas, mas apresenta um refrão extremamente poderoso, sendo feliz ao nos introduzir à atmosfera emocional que paira ao longo de todo o disco. "Stuck", a próxima faixa e segundo single do álbum, soa mais familiar a quem já é fã de carteirinha dos noruegueses. Os que torceram o nariz para a pegada mais "pop" de "From the Flame" vão encontrar aqui praticamente uma canção-assinatura da banda. Seus riffs já contam com uma estrutura pouco usual, mas no geral, a faixa mantém uma estrutura bem definida em verso-ponte-refrão. E falando em refrão, temos aqui outra pedrada, daquelas que a gente fica cantarolando sem perceber. É interessante também a incorporação pontual de elementos eletrônicos, não apenas nessa canção, mas de maneira relativamente frequente ao longo do álbum, contudo, sem nunca se sobressaírem em relação aos outros instrumentos. Ainda sobre "Stuck", há uma bela passagem de violino que começa perto do final da faixa e marca o seu desfecho. Chegando finalmente ao lead single do disco, a excelente "From the Flame" vem provando que nem só de virtuose vive a música progressiva. Mesmo um pouco mais contida, a canção ainda apresenta riffs sob uma time signature "esquisita", para a alegria dos prog rockers mais puristas. A banda escreveu refrões realmente inspirados para esse álbum e o dessa faixa é um ótimo exemplo. 


"Captive" e "Illuminate" (terceiro e último single do disco) trazem à banca o Leprous que já conhecemos dos trabalhos anteriores. São duas faixas com o que de melhor esses caras sabem fazer. Não há muito o que dizer sobre elas a não ser o fato de serem um tanto semelhantes, soando quase como que faixas irmãs. A linha de baixo com a qual "Captive" termina é muito parecida com a que abre "Illuminate". Na sequência, "Leashes" apresenta uma introdução dedilhada, lenta e emocional que inicialmente evoca 'atmosferas opethianas' como as do álbum Damnation desses suecos. Mas a canção está permeada de identidade própria, jamais soando derivada. "Mirage" retorna à vibe familiar apresentada pelas faixas 4 e 5 e é seguida pela faixa-título, "Malina", que abre somente com voz e teclado, ambos desenhando uma melodia bem intimista. Os synths eletrônicos também estão presentes aqui, remetendo a algo que escutaríamos em algum álbum do Lunatic Soul. As guitarras não aprecem até bem perto do final, mas soam quase que etéricas. Já "Coma" segue num ritmo bastante frenético que a acompanha até seu desfecho. As duas faixas que fecham esses quase 60 minutos de audição não soam mais do que impecáveis. "The Weight of Disaster" com suas viradas e progressões sensacionais e a melancolia sinfônica de "The Last Milestone", a mais longa do álbum. Dela vale mencionar o retorno do violino, que dá vida a um belíssimo solo em seu miolo.



É possível que Malina possa ser considerado o álbum mais acessível do grupo. Isso é, em parte, verdade, embora a banda continue produzindo um som bastante desafiador, principalmente a ouvidos pouco familiares à proposta desses músicos. Leprous integra uma leva de bandas que tem se diferenciado dentro das vertentes progressivas do Metal ao trazer uma pegada mais psicológica, soturna e emocional ao gênero. Nomes como Soen, Riverside e Dark Suns são exemplos notáveis dentro dessa premissa. Em todo caso, Malina é o retrato de uma banda em constante refinamento. É um disco coeso, melódico e profundo que tanto agradará fãs antigos como instigará os novos. Aos que procuram uma boa maneira de conhecer a banda e de se inteirar nessa nova onda do Metal Progressivo, este disco é certamente uma ótima pedida.

Faixas: 
1. Bonneville
2. Stuck
3. From the Flame
4. Captive
5. Illuminate
6. Leashes
7. Mirage
8. Malina
9. Coma
10. The Weight of Disaster
11. The Last Milestone

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