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Resenha: 14º Rising Metal Fest

Se existe algo de que os moradores de Conselheiro Lafaiete podem se arrogar sem medo de estarem errados é de morarem em uma cidade que está definitivamente no mapa da música pesada das Minas Gerais. E se tal pode ser dito hoje, isso em muito se deve a Anderson Sabazinho, figura emblemática do Metal em nosso Estado, o homem à frente da organização de diversos festivais, entre os quais o RISING METAL FEST, que celebrou no último dia 14 de Março a sua 14ª Edição, dando prosseguimento a uma história de empenho, trabalho duro e muito sucesso!

Já tradicional no calendário metálico mineiro, o Festival contou nesta edição com as bandas Noise More Blood, Necrobiotic, Spectrum, Rizzi e Hatefulmurder, que se apresentaram na boate do Clube Santa Cecília. A casa de shows Confraria, tradicional abrigo dos eventos produzidos por Sabazinho em um passado recente e que funcionava há poucos metros do Santa Cecília, fechou as suas portas em novembro último, o que trouxe como novidade desta edição a mudança de local. É um capítulo da História do metal em Conselheiro Lafaiete que se encerra: na Confraria foram realizadas cinco edições do RISING METAL FEST, seis edições do HEAVY FEST, quatro edições do METAL AGE, quatro edições do CONFRAROCK, uma edição do LAFAIETE METAL FEST e, ainda, o show do BLAZE BAYLEY, eventos estes todos capitaneados por Sabazinho. Entretanto, pode-se dizer que os bangers já eram, de certa forma, íntimos do Santa Cecília também, vez que, sob a mesma organização, a casa já foi palco do RISING METAL FEST de 2005 e das edições de 2006 e 2008 do prestigioso HEAVY FEST.

Dando início à noite da edição de 2015, subiu ao palco o Noise More Bleed, de Barroso, executando um Metal competente e dotado de groove, que conseguiu angariar a atenção do público e contagiar os adeptos deste tipo de proposta, muitos ainda adentrando o clube e dos quais grande parte era egressa do Bar do Banha e dos arredores da Praça Barão de Queluz, local em que se promove uma informal confraternização/concentração pré-Fest. Das sete músicas executadas pelo quarteto, três versões: “A New Level” (Pantera), “Unanswered” (Suicide Silence) e “Attitude” (Sepultura). Citá-las decerto ajuda a situar o terreno por onde transita o Noise More Bleed. Era a primeira vez que a banda se apresentava na cidade e fez um show reponsa, que aqueceu e sacudiu os presentes, causando a aprovação geral.

Problemas com o transporte da banda escalada como a segunda atração da noite adiantaram o show do Necrobiotic, combo Death Metal oriundo de Divinópolis responsável por perpetrar com segurança e domínio, resultado de seu longo tempo de estrada, um repertório irrepreensível. Já aquecida pelo show anterior, a audiência se entregou ao mosh e bateu cabeça embalada principalmente pelas competentes faixas do segundo álbum dos caras, Death Metal Machine, lançado em 2014. É notória a tradição mineira nesta mescla entre o Thrash e o Death Metal, com algumas formações privilegiando um estilo em detrimento ao outro no amálgama que resulta da mistura que promovem. Bem, as incursões do Necrobiotic no terreno Thrash são sutis, funcionando como um tempero extremamente bem dosado, que deixa o Death tradicionalíssimo por eles executado emanando uma marcante personalidade. Ou o show foi curto, ou foi bom demais, o caso é que deu vontade de ouvi-los esmerilhando os seus respectivos instrumentos em pelo menos mais umas cinco faixas.

Em seguida, subiu ao palco o Spectrum. Já bastante conhecida do público de Lafaiete, a banda se apresentava na cidade pela quarta vez. Maior sinal de aprovação do público que esta freqüência eu não consigo imaginar. Naturalmente carismáticos e novamente um quarteto, os cataguasenses tiveram o público nas mãos durante todo o set, mandando ver o seu Heavy Metal cantado em português e valorizado por letras inteligentes. E tome som: nove faixas, das quais apenas uma não era própria; a versão para “War Pigs”, do unânime Black Sabbath. Uma apresentação energética e empolgante, como é praxe em se tratando do Spectrum. Destaque para “Homens Cansados” e “O Irolevo”.

O Gothic Metal teve na banda seguinte a sua representação nesta edição do RISING METAL FEST. Por sinal, a dinâmica de estilos na escolha do cast também é sempre um grande acerto e ponto positivo que se deve ressaltar. Rizzi é o nome pelo qual atende o sexteto responsável pelo quarto show da noite, diretamente de Espera Feliz, na Zona da Mata mineira. Debutando na cidade, a banda apresentou um set focado em composições próprias, que transparecem bastante afinidade dos músicos com o estilo que escolheram abraçar. É um tipo de proposta que goza de justificada popularidade em meio aos fãs de música pesada. Apresentaram-se com apenas uma guitarra – o que reduziu a formação a um quinteto –, o que não chegou a comprometer o resultado final (pelo contrário, já que comportar seis componentes no exíguo espaço do palco demandaria um esforço que certamente afetaria o desempenho e a presença dos músicos). Contando apenas quatro anos de carreira, pode-se dizer que têm um longo caminho a percorrer e o estão trilhando pela via correta. Que o continuem seguindo e decerto colherão excelentes frutos.

Por fim, a única atração off-Minas e escolhida para headliner do Fest, divulgando No Peace, o seu primeiro CD full, os cariocas do Hatefulmurder. Figurinha carimbada em Lafaiete, a trupe de Felipe Lameira tomou posição e, com uma intro, deu início ao seu terceiro show na cidade. Se ainda tinha algum pescoço intacto, meu amigo... ele teve todo o necessário pra virar farelo com essa apresentação! Cozinha azeitada, músicos todos muito entrosados, riffs poderosos e uma massa alquímica de peso e groove distribuída em oito faixas (descontada a intro) que tripudiaram das vértebras dos presentes, abandonados ao headbanging frenético e incessante! Só senti falta da inclusão da “Extreme Level of Hate” no setlist. Na versão que a banda forjou para o clássico “N.I.B.” (novamente do Sabbath, sempre ele!), a casa veio abaixo e era possível escutar toda a galera do gargarejo cantando junto, em uníssono, enquanto agitava. Uma cena pra guardar na memória. 

Como se não bastasse a qualidade dos shows, uma iniciativa de Soninha Santiago e que foi pela organização do evento abraçada ainda possibilitou o sorteio de brindes para o público que se dispusesse a doar um quilo de ração para os cachorros de rua. A arrecadação, cerca de 90 kg, foi repassada à APARC – Associação dos Protetores de Animais de Rua de Congonhas – e superou as expectativas iniciais, segundo a própria Soninha. A plataforma escolhida para divulgar a campanha foi virtual, via Facebook, promovida principalmente nas semanas que antecederam o Festival. E eis o resumo do 14º RISING METAL FEST: uma mistura de amizade, consciência e muito Metal. Metal da melhor qualidade! Que venha a 15ª edição!!!

Fotos acesse:









Resenha: Vinnie Bressan / Fotos: Jeanny Paiva e Vinnie Bressan


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