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Poesias: Lviz Pherreira



Palavra


"Expele-me!" Ordena autoritária.

A dissimulada…a maldita!

Arranhando-me a garganta

Com magnificas roupas doiradas

Que lhe escondem as feições horríficas...

Dançando com o silêncio,

Cai, lágrima seca em minha cara.

"Aquietarás a minha dor?" pergunto,

E de sentidos erectos,

Caio inerte. Mudo...

Quero fornicar-te mas faltam-me as forças;

E como se d'uma reles puta se tratasse

Deixar-te usada sem dignidade.

"Sussurra-me!" disse baixinho.

"Sem pudor ou por piedade,

Pois, que voz seguirás se o vácuo do silêncio

Roubar de teus ouvidos essa gasta verdade?"




Torpor

Mergulhado num maciço nevoeiro
De mais um eco de minha memoria faminta,
Demoro, atordoado e sem choro.
Rodeado pelo meu próprio requintado bafo poluído,
Deixo escorrer timido para o chão imundo
O vinho de mais uma taça imoralmente servida
Sob esse amargo olhar de mágoa desdita…

(…fumo?)

Olho o ingénuo com pernas deformadas que se me aproxima,
Vulto d'um agonizante sorriso sofrido,
Esbatido numa expressão de porcelana rosada.
Sussurra murmúrios que fogem ao ouvido
Empoeirado, ignoro satisfeito
Deixando-me envolver pelo cheiro a queimado.
"Vem das tuas asas" diz ele, agora em tom claro…
Acena-me um leve gesto incerto, magoado.
Deixo-me entorpecer pelo odor carbonizado
E ignoro a dor sentida
Dentro desta carcaça com vida,
Comodamente enfraquecida.








Quando morrer

Deambularei num sonho acordado,
Alimentando-me de teu fugaz sorrir.
Esperarei não mais despertar
Ainda que adormecer seja tormento,
Ainda que simulado seja o sentir.

Quando morrer
Morri dentro de ti.

Morri nas desculpas aborrecidas,
E nas noites de aproximações desaparecidas,
Impregnei de negras culpas,
Este ar que não mais respiras.
O que foste, o que és?
Da minha vez que nunca acudiu
Uma promessa quebrada,
De um doce apelo temperada,
Despojaste de sentido aquela utópica realidade.

Quando morrer
Morrerei dentro de ti.

Desilude-me a cor dos olhos, peço-te
Uma vez mais...
Adormece-me…
Permite-me divagar naqueles desbotados lençóis
Que tingiste com esse aroma sem cheiro
E abandona-me uma vez mais...
E mais...
E mais...
e...

Não morri...

Nunca dentro de ti...




Lviz Possui um blog com mais poesias e ilustrações próprias. Vale a pena conhecer!

http://www.orgaos-em-falha.blogspot.com/

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